DINÂMICA DE RAMPA DE COLÚVIO NA SUPERFÍCIE DE PALMAS/ÁGUA DOCE DURANTE O QUATERNÁRIO TARDIO – BASES PARA COMPREENDER A EVOLUÇÃO DAS ENCOSTAS NO PLANALTO DAS ARAUCÁRIAS / Dynamics of colluvium ramp on the surface of Palmas/Água Doce during the Late Quaternary - bases to understand the evolution slopes in the Araucarias Plateau

Julio Cesar Paisani, Sani Daniela Lopes Paisani, Margarita Luisa Osterrieth, Marga Eliz Pontelli, Rafaela Harumi Fujita

Resumo


O termo rampa de colúvio consiste em unidade de relevo suavemente inclinada em direção ao fundo dos vales mantida por colúvios, por vezes recobrindo terraços aluviais e reentrâncias (hollows) ou depressões em anfiteatro. O presente trabalho visou determinar a dinâmica de rampa de colúvio da superfície de Palmas/Água Doce, ao longo do Quaternário Tardio, bem como tecer considerações a respeito do ambiente de encostas em superfícies de cimeira do Planalto das Araucárias, sul do Brasil. Aplicou-se a análise pedoestratigráfica em duas seções representativas dos materiais da rampa de colúvio, bem como a geocronologia (métodos 14C e LOE), análise isotópica do carbono e fitolítica. A rampa de colúvio relevou registro pedoestratigráfico caracterizado por camadas delgadas de colúvios (horizontes Cb), por vezes pedogenizadas (horizontes Ab, ACb, CAb, Bb e BCb), com importantes lacunas e truncamentos de níveis pedológicos superficiais (paleohorizontes A). Vales de drenagem de baixa ordem vizinhos às encostas sofreram colmatação durante sucessivas fases de sedimentação. A morfogênese foi contínua no setor analisado do Último Interglacial (Estágio Isotópico Marinho 3 – EIM 3) ao Holoceno (EIM 1). Os sinais isotópicos e fitolíticos sugerem que a estabilidade ambiental favorecendo a pedogênese no Último Interestadial (EIM 3) foi em detrimento de regime climático úmido e relativamente frio. Já a morfogênese registrada no Último Máximo Glacial (EIM 2) decorreu de regime climático relativamente frio e seco, pontuada por fase de flutuação para mais úmido. Enfim, para o Holoceno (EIM 1) o clima mostrou-se no geral mais quente e seco. Do ponto de vista regional, os resultados indicam que: a) as rampas de colúvio são unidades geomórficas de trânsito de sedimentos entre colinas e fundo de vale de baixa ordem nas superfícies de cimeira do Planalto das Araucárias; b) seus registros estratigráficos são delgados em face a recorrentes lacunas (descontinuidades); c) a intensa dinâmica erosiva nas rampas inibe o acúmulo de sedimentos, por outro lado possibilita a colmatação de fundos de vales de baixa ordem vizinhos, até completa homogeneização topográfica lateral; d) nesses fundos de vales estão os principais registros estratigráficos que documentam fases de pedogênese e morfogênese tanto no ambiente de encosta quanto no ambiente fluvial de baixa ordem vinculado a rampa; e) paleohorizontes A húmicos enterrados (Ab), vinculados a fase de pedogênese do Último Máximo Glacial, podem estar preservados em ambos os ambientes.


Palavras-chave


encosta; paleofundo de vale; fitólito; isótopo do carbono.

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.20502/rbg.v18i4.1247

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.

Revista Brasileira de Geomorfogia ­ RBG (Rev. Bras. Geomorf. ­ Online ­ ISSN: 2236­5664) | Copyright © 2010 | Todos os direitos reservados