DESENVOLVIMENTO DE REDES DE CANAIS E PIRATARIA DE ÁGUA SUBTERRÂNEA: BACIA DO RIO DO BANANAL (RJ/SP) / Groundwater piracy and channel network development: Bananal river basin (RJ/SP)

Paulo Jorge Vaitsman Leal, Ana Luiza Coelho Netto, André Avelar

Resumo


Desde 1982, a bacia do rio do Bananal (512 km2), que drena o reverso da escarpa Atlântica da serra do Mar (localmente denominada serra da Bocaina), constituiu-se em área-laboratório de pesquisas de campo de natureza hidro-geomorfológica e geoecológica, fornecendo subsídios para a modelagem funcional e histórica da expansão de redes de canais em vales de cabeceiras de drenagem. Ao longo das últimas três décadas foram conduzidas mensurações do crescimento de um caso típico de canal inciso (tipo voçoroca) resultante da erosão por exfiltração de água subterrânea. Enquanto o canal-tronco permaneceu relativamente estável nesse período, observou-se o crescimento de dois canais-dígitos, um dos quais bifurcou próximo à cabeça do canal-tronco, mostrando aceleração das taxas de recuo com a aproximação do divisor. Este último fato contrariou o esperado na medida em que a literatura apontava que a redução da área de contribuição a montante da cabeça de canal tenderia a desacelerar a atividade erosiva até sua estabilização final. Isto abriu a hipótese de que estaria ocorrendo migração de fluxo do vale de cabeceira vizinho, o que foi traduzido como “pirataria” de água subterrânea. Neste trabalho buscou-se testar tal possibilidade, visando compreender melhor a relação entre a expansão da rede de canais e o comportamento da rede de fluxos d’água subterrânea local. Para tanto, utilizou-se a modelagem numérica de fluxos subterrâneos, arbitrando-se uma profundidade limite da rocha impermeável em 25 m por aproximação aos dados de campo. Alguns cenários foram reproduzidos a partir do conhecimento sobre a evolução geomorfológica da região. Os resultados da modelagem mostraram que o crescimento da rede de canais promove mudanças na orientação da rede de fluxos d’água subterrânea, podendo concentrar parte da rede de fluxos dos vales de cabeceiras vizinhas, configurando-se uma “pirataria de água subterrânea”. Além disso, os resultados confirmam a “pirataria” de água subterrânea do vale de cabeceira adjacente ao canal dígito em crescimento acelerado durante um período, assim como a perda de água subterrânea do vale de cabeceira em estudo para os demais vales ao seu redor, apontando um caráter móvel do aquífero em resposta ao desenvolvimento da rede de canais. Vale ressaltar, entretanto, que, dadas as condições atuais do nível de base associado ao canal principal (rio Piracema, principal tributário do rio do Bananal) e sob o atual regime regional de chuvas, o canal erosivo estudado e seus pequenos canais dígitos alcançaram a estabilidade desde 2001.

Palavras-chave


Pirataria de água subterrânea; Desenvolvimento de rede de canais; modelagem matemática

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DOI: http://dx.doi.org/10.20502/rbg.v16i1.321

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