DENUDAÇÃO QUÍMICA E REBAIXAMENTO DO RELEVO EM BORDAS INTERPLANÁLTICAS COM SUBSTRATO GRANÍTICO: DOIS EXEMPLOS NO SE DE MINAS GERAIS

Luis Felipe Soares Cherem, César Augusto Chicarino Varajão, André Augusto Rodrigues Salgado, Angélica Fortes Drummond Chicarino Varajão, Regis Braucher, Didier Bourlés, Antônio Pereira Magalhães Júnior, Herminio Árias Nalini Júnior

Resumo


Os interflúvios entre as grandes bacias hidrográficas do Brasil oriental correspondem, muitas vezes, a degraus morfológicos que dividem planaltos escalonados. Esses degraus são feições escarpadas resultantes da diferença de intensidade dos processos erosivos nas cabeceiras dessas grandes bacias. Esse artigo apresenta um estudo da denudação química em dois degraus dessas bordas interplanálticas localizadas no sudeste de Minas Gerais: (i) o degrau de Cristiano Otoni (250m) divisor das bacias dos rios São Francisco (terras altas ou planalto superior) e Doce (terras baixas ou planalto inferior) e, (ii) o degrau de São Geraldo (450m) que divide as bacias dos rios Doce (terras altas ou planalto superior) e Paraíba do Sul (terras baixas ou planalto inferior). Para entender a dinâmica da denudação química nessas bordas escarpadas, foram monitorados o total de sólidos dissolvidos (TDS), o Eh, o pH, a vazão de 21 bacias hidrográficas distribuídas ao longo de ambas vertentes dos degraus (terras altas e frente da escarpa) no final dos períodos chuvoso (abril) e de estiagem (agosto) em um mesmo ano hidrológico (2009). As bacias amostradas situam-se sobre o mesmo substrato litológico (granitóides). Utilizando os dados de TDS e vazão foram calculadas as taxas de denudação química (ton.ano-1.km-²) e as taxas médias de rebaixamento do relevo (m.Ma-1) para as bacias amostradas. Os resultados revelaram que as águas fluviais dos degraus estudados apresentam assinaturas geoquímicas distintas: (i) nas terras altas, os valores de pH são sempre ácidos (≈ 6,35) e nas escarpas, levemente básicos (≈ 7,10); (ii) os valores de TDS (carga dissolvida) nas terras altas (≈ 10,00 mg.L-1) são menores que os encontrados nos frente das escarpas (≈ 35,00 mg.L-1 para São Geraldo e, ≈ 18,00 mg.L-1 para Cristiano Otoni). As taxas de rebaixamento do relevo ocasionadas pela denudação química são semelhantes em ambas as terras altas (≈ 2,40 m.Ma-1). Em contrapartida, a frente da escarpa da Serra de São Geraldo apresenta taxa de denudação química mais elevada (7,06 m.Ma-1) do que o Degrau de Cristiano Otoni. (4,25 m.Ma-1). Essa diferença foi interpretada como diretamente relacionada à altura das escarpas, 450 e 250 m, respectivamente.

Palavras-chave


escarpas; bordas interplanálticas; denudação química

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DOI: http://dx.doi.org/10.20502/rbg.v13i1.344

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