TRANSPORTE DE SEDIMENTOS EM CANAIS FLUVIAIS DE PRIMEIRA ORDEM: RESPOSTAS GEOMORFOLÓGICAS / Transport of sediments in first order streams: geomorphological responses

Antonio Paulo Faria

Resumo


Este trabalho estuda a mobilização de sedimentos em canais fluviais de primeira ordem de área florestada, mostrando sua complexidade em função das grandes cargas de detritos orgânicos que caem dentro dos canais intermitentes. Foram utilizadas técnicas diferentes para medir deflúvios em calhas perenes e intermitentes, durante fluxos regulares e torrenciais. Também foram utilizadas técnicas distintas para medir o transporte de sedimentos de fundo e em suspensão, como baldes coletores, bandejas, coletores de amostras em suspenção do tipo rising-stage, estimativas por cubagem e traçadores físicos. Na área de estudo os canais de primeira ordem possuem até 500 m de extensão, eles diferem muito dos rios maiores porque as nascentes migram sazonalmente e a carga de detritos orgânicos que entra na calha chega a 20 t/ano, o que influência na dinâmica de transporte de sedimentos. Normalmente a capacidade de transporte é muito baixa devido aos deflúvios pequenos. Nas três bacias estudadas no Parque Nacional da Tijuca (RJ), as descargas médias foram calculadas em 2,6 l/s. O volume médio de sedimentos transportado em cada bacia foi de apenas 2,2 t/ano, e o transporte somente ocorreu durante 154 dias ao ano, entretanto, 94% do volume total de sedimentos pode ser removido em apenas 5 ou 6 dias, durante os deflúvios de energia elevada, com vazão maior que 50 l/s. A taxa de transporte oscila muito em função da disponibilidade de sedimentos, normalmente o estoque de areia é pequeno, ou até inexistente em certos canais. Geomorfologicamente esses resultados mostram que, dependendo do tipo de uso do solo, esses canais podem desaparecer se a taxa de transferência de sedimentos das encostas por erosão for maior que a capacidade de transporte de sedimentos dos canais.

Palavras-chave


Nascentes; Transporte de Sedimentos; Geomorfologia Fluvial

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DOI: http://dx.doi.org/10.20502/rbg.v15i2.410

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